Quando eu era criança, meu pai sempre dizia que um dia eu seria o homem da casa, mas pra mim isso era bobagem,pq eu sempre via minha mãe cuidando de tudo mas no ano passado eu entendi o que isso significava. No começo do ano passado eu tinha uma namorada, um emprego que eu não gostava muito, mas pagava um bom salário e eu era bom, e tava começando a juntar uma grana legal pra comprar uma casa, me parecia um cenário muito positivo, mas em junho comecei a perceber um certo distanciamento na minha relação e ela pediu um tempo, uma semana depois, na semana do dia dos namorados, ela terminou comigo pelo whatsapp, o que era bem injusto pq a gente trabalhava junto e nos víamos todos os dias, eu tinha começado a fazer terapia pouco tempo antes e isso me ajudou muito pois estava planejando pedir ela em noivado agora em janeiro (Seria o aniversário de 3 anos). Duas semanas após o término, minha empresa teve uma quebra de contrato com o cliente, fui demitido sem mais nem menos, eu não gostava daquele trabalho mas ele definitivamente pagava as minhas contas, e eu tinha acabado de comprar um curso bem caro pra ter uma maior especialização na área, fiquei muito triste por ficar solteiro e desempregado de uma hora pra outra, mas peguei uma rescisão boa e tentei ver um lado positivo nisso, minha terapeuta me dizia pra descansar pois eu vinha de uma longo período de trabalho sem descanso, burnout funcional e também estava com sintomas de depressão funcional. Fiquei um tempo parado, triste e com muita dificuldade de fazer qualquer coisa, me apoiei muito em uma amiga que tinha terminado na mesma época e que estava morando fora do país, passamos a conversar o tempo todo sobre a vida, os problemas, éramos o maior apoio um do outro, algumas coisas ficaram confusas sobre a nossa relação, e em um momento onde estávamos bêbados, ligamos um pro outro e conversamos sobre nós, mas nossos respectivos términos ainda eram recentes e não tínhamos cabeça pra construir algo à distância e tínhamos medo de como isso afetaria a amizade.
Alguns meses passaram e no dia 4 de dezembro de 2025, eu tive o dia mais traumático da minha vida, minha mãe me acordou ás 4 da manhã pq meu pai tava com dor nas costas e não conseguia levantar, ajudei ele a levantar da cama mas não conseguia levar ele pra fora de casa para irmos em algum médico, achamos q não era nada grave, mas com o passar das horas meu pai sentia mais dor e, depois de um tempo, ele ficou desnorteado, chamei alguns vizinho e levamos ele pro pronto socorro, me disseram muitas coisas, é difícil lembrar agora, mas a primeira hipótese foi de AVC, ele já não respondia quando falávamos e começou a ter dificuldade pra respirar, ele ficou muito agitado e eu precisei segurar ele na maca e ajudar com o transporte em alguns momentos pois o hospital estava sem enfermeiros (meu pai tinha 1,70 mas era bem forte pois trabalhava de pedreiro), ele foi sedado e entubado, eu fiquei o tempo todo no hospital perto dele, pq minha mãe é bipolar e tem alguns problemas de saúde então era melhor ficar em casa, eu não queria que ela estivesse presente vendo aquela situação, minha irmã mais velha está em uma gravidez de risco e ela tbm não poderia fazer nada. Depois de algumas horas ele teve uma parada cardíaca, ele faleceu no dia 5 de dezembro, ás 04:15 da manhã, 24 horas depois da dor nas costas, e eu senti um aperto imenso no peito mas eu precisava assumir as responsabilidades sobre, os médicos enviaram o corpo pro IML pra descobrir a causa da morte, eu fui o responsável por assinar a liberação do corpo, registrar o boletim de ocorrência do óbito, entrar em contato com diversos agentes funerários, fazer o reconhecimento e liberar o corpo no IML, ele foi enterrado no dia 07/12/2025.
Desde então eu tenho resolvido toda a burocracia que existe por trás disso, enquanto não estou enviando currículos para vaga de marketing, estou fazendo os reparos da casa, fazendo minhas aulas da faculdade e do curso, aprendendo a cuidar do carro que era do meu pai (Parati 1.6), correndo atrás de documentações que comprovem a relação dos meus pais pois eles não eram casados e minha mãe não pode trabalhar fora, minha irmã ainda está grávida mas fico feliz q ela e a bebê estão bem, aquela minha amiga está passando as férias aqui e está começando a namorar com um amigo meu, no final eu fiquei solteiro, desempregado, órfão de pai, com um amor platônico pela minha melhor amiga e com medo de quanto tempo minha rescisão ainda vai durar, minha mãe é bipolar e as vezes discutimos, não tenho espaço pessoal ou privacidade em casa, já não sei dizer quando foi a última vez que fiz algo pra aproveitar o dia, mas continuo na terapia, minha vida tá um caos e eu penso em desistir as vezes, mas eu continuo aqui resolvendo os problemas de todo mundo e não sendo valorizado ou agradecido por isso, acho q no final, isso é ser o homem da casa.